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Mergulhar de cabeça

As coisas estão fora do nosso orçamento ou isso é um detalhe que não foi planejado.

Arrumou-se no banheiro feminino; olhou-se no espelho por um tempo, como quem quer acolher os detalhes com cuidado. Atravessou os corredores até a pequena sala abaixo das rampas que davam acesso às salas de aula e com muita paciência aguardou sua vez na fila da recepção. Trancou umas portas aqui, outras ali; psicologia quiça. Com um passo espaçado do outro iniciou a valsa até o último andar. Chegando ali, no ponto entre um coupé para a ciseaux iniciou a execução do que seria seu momento de fama, o mergulho do sabiá.

Sua mãe a encontrou em pleno pouso; pousou de cabeça no concreto. Quebrando parte do crânio, os  pequeninos dentinhos saltaram pelo jardim. São daqueles epitáfios que dizem “Seus vinte e três anos foram excepcionais. Tanto nos estudos, como fora deles. No ar.” Tentou o suicídio e relativamente falhou, por algum tempo. Foi levada ao hospital por um professor de medicina e morreu na porta do hospital.

 

Tudo que é ficção às vezes se confude com a vida real; quando a moça do samu vem recolher alguns dentes pelo chão, você começa a pensar se a fada do dente não existe mesmo.

 

Algo a mais

Foi incrível. O apartamento era feito de livros e o próprio Dom Quixote apresentava os diversos ambientes. Quase um milagre. Benito varria o vaso quebrado ao canto da salinha de entrada. Balançava a pequena vassourinha brutalmente contra o chão e dava um charme grotesco aos livros de couro antigos e cheirosos. Vastas coleções enfeitavam as prateleiras de madeira escura, dificilmente visitadas. O anfitrião sabia como dançar entre as obras, dois passos à esquerda chicoteava as leis da atração, à frente bailava com os romancezinhos, à direita armavasse com os autógrafos japoneses e a cada pulo, topava com o nariz do Sr. Feynman duelando com o nariz do Gogol. Era um piscar de olhos, estava em uma selva ouvindo seus susurrinhos, era outro, estava em um ópera gravemente chique e pomposa. Céus! Cem vezes algodão doce, cem vezes cookie de chocolate. Meu êxtase, minha terça-feira.

Excelência

Com efeito, os parâmetros usados para avaliar o que a arte exala em gente pequena torna-se cada vez mais insignificante, atingindo a paralisia da criatividade e da curiosidade.

Os profissionais preparados para auxiliar na transição entre gênero e espécie, estão colocados de frente uns aos outros, ganhando pirulitos e um saquinho de bolas de gude. Quem não sabe jogar, inventa.

Essa é a sensação depois de interpretar uma prova de conhecimentos específicos. Embora, muito atualizada e baseada em exposições que datam desde 1966 a 2009, não se espera muito dos docentes, apenas que saibam interpretar um texto e assinalar a questão correta.

Vale ressaltar que se o manto de Bispo do Rosário o levava a presença de Deus, existe uma possível chance de uma prova com alternativas me levar aos alunos.

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